domingo, 18 de março de 2012

PARA ESTE DOMINGO, POEMAS DO DR. BERNARDO CELESTINO PIMENTEL, QUE AMA O MAR E SE DESMANCHA COM AS EMOÇÕES.

BERNARDO CELESTINO PIMENTEL


A POESIA DE BERNARDO CELESTINO PIMENTEL

INTERROGANDO O DESTINO


um dia eu parei e vi o meu destino.
sorri e me surpreendi ao compreendê-lo
será que era só isso ou era isso tudo,
que tamanhos sonhos,
pudesse o meu universo contê-los?

sonhar muitas vezes,
o medo já acabou,
passa tempo,
viram os dias,
o meu sonho pára no que encontrou.

o que se encontra na vida surpreende todas as concepções,
dos projetos e metas que agradam ao coração.

resta a rotina dos dias,
os enfados da inconclusão,
passam os dias, viram os tempos,
os sonhos não passam não.


UM TRAGO DE ANGÚSTIA


Força de uma fera,
tímido como um míope,
stress permanente,
esperanças no futuro.

águas presentes,
águas passadas,
águas salgadas,
águas ingratas.

lembranças antigas,
lembranças amargas,
lembranças verdades,
lembranças lembradas.

suores frios,
suores quentes,
suores de medo,
suores de gente.

futuro incerto,
futuro crente,
futuro vago,
futuramente.

dias de luta,
ansiedade intensa,
descrédito,
realidade,
vida dura.

dias de calor,
excesso de trabalho,
a verdade,
o claro.

noites de espera, visão de tudo,
certeza de ser homem,
consumindo o mundo.


A POESIA DO AMOR QUE ACABOU...


Pensaram que não era assim,
acharam que não era igual,
passaram a viver um grande amor
que encontraram dentro de um jardim.

subiram em um carrossel,
sonharam vinte anos luz,
viveram o amor dos anjos,
não carregaram a sua cruz.

um dia o carrossel parou,
se acenderam todas as cavernas,
o tempo lhes cumprimentou,
e nada mais seduz.

agora sem um grande amor,
a vida segue por um triz,
ele bebe a sua dor,
ela coleciona cicatriz.

agora já se tem ciência,
já sabem que não eram mais,
e vão dançar no baile,
preparado para a solidão dos casais.


O VELHO POETA

Velho poeta, quanta emoção,
olha pra rua, fecha o portão,
senta com as rosas, crer no jardim,
sabe de tudo, da ilusão.

Bebe saudades, cheira o fim,
faz a pergunta, sabe que sim.
fita a saudade, trava o portão,
sente vontade, prende com as mãos,
um velho sonho do coração.

canta mistérios, beija o jasmim,
volta pra vida, teme sorrir.
traz um passado, preso nas mãos,
sabe de tudo, sente a canção.

Fecha os olhos, relembra um verão,
se lembra do cheiro, de uma emoção.
relembra instantes, em aflição,
escuta um piano, olha pro chão,
lembra uma moça, na escuridão,
beija a roseira, senta no chão,
olha pra rua, trava o portão.

AS PERGUNTAS DO EU PROFUNDO...

DE QUANTAS LUAS um poeta precisa para amainar a sua dor ?

De quantas pontes o amor precisa para encontrar o seu destino ?

Com quantos beijos se contenta uma sede de amor ?

com quantas esperanças se constrói um sonho ?

de quantos arrependimentos é feito uma constatação ?

qual é o lado do amor, e qual o lado da razão ?


Com quantos paus se desconstrói um ninho ?

com quantas jangadas se chega a uma tristeza ?

com quantas pegadas se descobre o seu rastro ?

com quantos prazeres um coração não enfarta ?

a que horas o coração se encontra com a razão ?


quantos outonos virão para nascer a fruta doce á alma ?

quantos Invernos precisam para se sentir saudades ?

quais as rosas que você me trará na primavera ?

quantas primaveras eu preciso para ser feliz ?

que cor é a rosa do seu sonho ?

como plantastes um jardim na minha alma ?

quando um verão se transformará numa estação de amor ?

COM QUANTAS TEIAS SE PERFUMA UMA ILUSÃO?


http://www.padrecelestinopimentel.blogspot.com.br/

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COMENTÁRIO DE PALITOT

Gostei de ler as expressões poemáticas emanadas do Dr.Bernardo, que certamente o fez em homenagem aos momentos vivenciados, atuais ou sonhados..
Toda inspiração é válida ao poeta nato que a transforma em delírio quando bem delineada, como o caso em epigrafe.

Parabéns

Palitot

sábado, 17 de março de 2012

QUEREM SABER DA POESIA MINEIRA? CONSULTEM OS BLOGUES DO GRANDE ATIVISTA CULTURAL: ANTONIO CARLOS DAYRELL.

ANTONIO CARLOS DAYRELL
ESCRITOR MINEIRO
http://poesiaparapararotempo.blogspot.com.br/

http://antoniodayrell.blogspot.com.br/

http://poesiadelivery.blogspot.com.br/

http://poesiascrap.blogspot.com.br/

http://samontepoetico.blogspot.com.br/

http://pos-antiblog.blogspot.com.br/

http://carlosdayrell.blogspot.com.br/

http://argentadocentrooeste.blogspot.com.br/

http://antoniocarlosdayrell.blogspot.com.br/

sexta-feira, 16 de março de 2012

APÓS TANTOS DIAS, FINALMENTE O SILÊNCIO CALOU-SE -SE E AJUDOU-ME A CANTAR ALEGRIAS!


O SILÊNCIO CALOU-SE
Lúcia Helena Pereira

Sim, o silêncio calou-se e ouvi música das estrelas
Nesta manhã de auroras e sonhos,
No mês da Mulher e da Poesia!

O silêncio calou-se cantando as canções das flores,
Que dizem de aromas, em versos de alegria
Que os pássaros cantam em suas harmonias.

O silêncio calou-se depois de tantas indagações
De sentimentos sentidos e esperanças renovadas,
Quando pedimos ao Pai: "Ensina-me a CRER"!

O silêncio calou-se pois não poderia afrontar
A pureza e suavidade de tão nobres notas musicais,
Que as harpas eólias trouxeram na branca nuvem de março.

O silêncio calou-se e ouvi aquela ave de canto canoro e raro,
E de outros pássaros sobreviventes sobrevoando planicieis esquecidas
E vales escondidos!

O silêncio calou-se e cantou uma dileta melodia,
Cuja letra e música, trouxeram-me arranjos lindíssimos
A dizerem: "Lucinha...minha querida".

O silêncio falou. Cochichou hoje cedo ao meu ouvido,
Pelo telefone, na voz de Pedrinho,
Meu amiguinho de infância e de tantos afetos irmãos.

O silêncio falou. Ouvi dele a mais alta nota musical
Num refrão de auroras derramando flores
Num castiçal de licor de orvalhadas amoras.

O silêncio falou...e até chorou,
Ouvi o seu soluço na luz esverdeada de um céu canavial,
Um soluçar emocional, de vida, esperança - ressurreição!

E o meu coração se alegrou e pude cantar essa festa,
A festa do reencontro prometido
A festejarmos todos juntos, com a luz do vale verde!

Ao meu querido amigo de infância - Pedro Simões Neto!


(*) Ilustração do google.

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Comentário de Violante Pimentel

"Querida Lúcia Helena:

Achei belíssimo o seu poema de regozijo pelo restabelecimento do seu grande amigo, Dr. Pedro Simões Neto. Somente os grandes poetas, e você faz parte dessa casta, sabem, tão bem, retratar, através das letras e palavras, a grande alegria que jorra do peito, diante de um acontecimento tão feliz.
Que Deus proteja o ilustre Dr. Pedro Simões Neto, com muita saúde e longevidade.
Um grande abraço, e junto-me a você nessa alegria.

Violante Pimentel"

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COMENTÁRIO DE HORÁCIO PAIVA


Quanta inspiração, e aliada à ternura, minha querida amiga! Assim você comove todos, mas também deixa-nos felizes pela recuperação do amigo, cantada pelas flores e pelos pássaros - grande intérprete que você é da natureza!. Forte título e imagem: "O Silêncio Calou-se"!

Abraços.
Horácio Paiva.

quinta-feira, 15 de março de 2012

DE QUANDO VÍ UM CÍRIO QUEIMANDO NUMA CATEDRAL EM RUÍNAS - POR BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

DR. BERNARDO CELESTINO PIMENTEL (*)

Um fim de tarde igual a outros que diariamente acontecem em Natal.

Estou na avenida Afonso pena, em frente ao edifício Esmeralda, dentro de um fusca. Espero a mulher e as crianças para enfrentar a noite,
alguns homens vestidos de palitó, ou de camisas esportes, já retornam do trabalho e entram na garagem sobre pilotís do edifício, na entrada do qual estou estacionado.
A tarde vai findando com aquele clima de tristeza, própria desta hora, e o ar de angustia que faz parte do começo da noite na capital.
Atrás dos meus óculos vejo uma caixa de ferro sobre a calcada, com a inscrição: urbana, e de lado, um homem e uma mulher, os três em cima da calçada do prédio, que abriga uma classe média alta, que no final joga as coisa usadas e imprestáveis, no lixo.
A mulher é alta, despenteada, mal vestida, facies ligeiramente debilóides, porém nos seus olhos existe um certo ar de ganância, e a tensão de quem está prestes a ganhar um prêmio.
O homem vestido de mescla, atitude psíquica pelagroide, com o ar de quem estava começando o dia de trabalho.
A tarde vai ficando mais escura e o homem pula dentro da caixa de lixo e a mulher se mantém na postura de quem vai receber algo, de quem está esperando pelo companheiro.
Neste instante me dou conta da cena que se passa no palco da vida, no bairro do Tirol.
Agora, no meu fusca, se encontram eu e a dor e a ansiedade de ver o desenrolar do espetáculo, ao ar livre, cujos atores não sabem que o estão sendo, não ensaiaram.
O enredo da peça foi determinado pela própria vida, pelas leis mães da vida: vestir, calcar, comer.
O homem se abaixa e ao se levantar, entrega à mulher umas latas de óleo de soja, secas, umas seis. A companheira recebe e exibe um ar que diz: serve...já e alguma coisa.
Novamente o homem se abaixa e, ao levantar traz na mão uma sapatilha vermelha. Esse ob
jetos despertou na cara pálida da mulher, um ar de mais interesse, imediatamente as calçou e deu ao corpo uma rodada narcisista, semelhante ao que fazem as moças ricas, provando vestidos em boutiques de luxo.
A esta altura eu já queria que a minha família não chegasse logo, para não distrair a introspecção, que o espetáculo estava me proporcionando.
O homem se abaixa pela terceira vez, eu diria: foi a terceira queda do cristo natalense, no calvário do Tirol, na frente de Pôncio Pilatos, que estava a observar de dentro do carro.
O homem submerge com uma moldura antiga, sem a gravura do quadro, e entrega à mulher.
Meus amigos, a face humilde e anêmica da jovem senhora, esbocou um ar de profunda ternura e contentamento. No seu olhar eu vi a alegria pura e simples, no seu estado de gema. A m
ulher acolhendo a prenda, olhou o amante e falou: foi muito bom você ter encontrado esta moldura, vamos levá - la para casa, pois lá em casa, o RETRATO DA GENTE está muito embolado.
Neste momento eu tive vontade de chorar, vi cair a máscara que esconde o meu egoísmo e a minha ganância, a eterna competição, o eterno desejo de querer mais, o ter mais.
Me lembrei de Vinicius de morais, pelo motivo social e poético: eu vi um círio queimando numa catedral em ruínas, uma mulher onde faltava tudo, se preocupando em emoldurar o retrato do casal, para colocar na sua sala.
Agora, as crianças já chegaram e eu já vou. Cada vez mais, volta gente do trabalho, entra nas suas garagens e sobe para os seus apartamentos, muitos dos quais não possuem um retrato emoldurado do casal, na sala de visita.
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(*) Médico proctologista, cirurgião, escritor e poeta.

http://www.padrecelestinopimentel.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de março de 2012

PROGRAMAÇÃO DO TEATRO ALBERTO MARANHÃO, ATÉ 31 DE MARÇO/2012.

DIONE CALDAS - DIRETORA DO TAM

Teatro Alberto Maranhão
Coordenador: Dione Maria Caldas
Praça Augusto Severo, S/N - Ribeira - Natal-RN - CEP. 59.012-380
e-mail - teatroalbertomaranhao@rn.gov.br - 3222.36.69

Dias
Horário
Preço
PROGRAMAÇÃO DO MÊS MARÇO DE 2012
03
Sábado
20h00 20,00
10,00 Show Musica e Lançamento do CD – JAINA ELNE
“ SEM PASSAGEM DE VOLTA” – Direção: Patrícia Barbosa
04
Domingo
17h00 30,00
15,00 Espetáculo Infantil “CHAPEUZINHO VERMELHO” - Adaptação: Danúbio Azul e Cia. Teatro - Obediência e ensinamentos dos mais velhos, amor e valores familiares.
09
Sexta
20h00 CONCERTO Coral Sinfônico com HARMUS
Convidado: Orquestra Metropolitana de Lisboa - Regente: Maestro Cesário Costa (Pt)
10
Sábado
20h30 30,00
15,00
CLAUDIA MAGALHÃES EM “A ULTIMA GOTA DE ABSINTO” Adaptação do Conto “A Dama da Noite” de Caio Fernandes Abreu
Direção Geral:Junior D’Alberto - Direção Musical: Eduardo Taufic
11
Domingo
17h00 30,00
15,00 Espetáculo Infantil “OS TRES PORQUINHOS E UM LOBO MUITO MAL”
Texto: Adapt. Edson Soares - Direção Artística: Gleydson Almeida. As crianças aprendem lições sobre o respeito aos ensinamentos e ajuda ao próximo.
13 e 14
Terça /Quarta 09:h/14h30
19h30 Ingresso
Escola CIA TEATRAL MONICREQUES - APRESENTA: “DOM CASMURRO”
Texto:Machado de Assis - Bento Santiago, narra seu romance com Capitu, amiga e vizinha. Prova que Machado de Assis é realmente um imortal.
15
Quinta 08h30
10h30 Ingresso
Escola Espetáculo “QUE ESTORIA É ESSA” Grupo TEART DE TEATRO
16
Sexta
20h30 30,00
15,00 Comédia “ O VELORIO DA MARQUESA DI FATIMO” Texto: Junior Alberto
Cia Vive-Versa de de Teatro – Conta a historia de um grupo irreverente de amigos que resolvem velar uma amiga travesti.
17
Sábado
21h00 50,00
25,00 Marcello Marrom e Rodrigo Capella em: “COMEDIA PRETO & BRANCO”
Reúne improviso, musica humor e dança.
Diretor Produção: Alexandre Paiva Censura 14 anos
18
Domingo
17h00
30,00
15,00 Espetáculo infantil “BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES” E marcada por valores essenciais para a formação do caráter não só das crianças que vão assistir, mas de todo o público que acaba absorvendo as mensagens passadas através da estória.Cia. Manacá de Teatro - Texto: Adapt. Jesiel Figueiredo
18
Domingo
20h00 50,00
25,00 Marcello Marrom e Rodrigo Capella em: “COMEDIA PRETO & BRANCO”
Reúne improviso, musica, humor e dança.
Diretor Produção: Alexandre Paiva Censura 14 anos
21
Quarta
14h00 Ingresso
Escola Projeto Escola - Espetáculo “O PEQUENO POETA” - Relato de um pai que relembra para sua filha as aventuras de sua juventude, em canções interpretadas no palco. Grupo TEART de Teatro - Texto/Dramaturgia:Barbara Cristina
22
Quinta
20h00 Senha
Convite CONCERTO PARA REBECAS - É uma apresentação instrumental, onde a Rebeca , aparece como solista acompanhada por um quarteto de cordas.
Solista e Violinista: Aglaia Costa -Pe
22
Quinta
20h00 Senha
Convite Cia do Humor DEZNECESSÁRIOS (MTV)Apresenta o Show “DEZ IMPROVISA”- Jogo do Improviso - Interagem de forma espontânea com a platéia. Direção: Paulinho Serra
24
Sábado Teatro Alberto Maranhão completa - Comemora seus lO8 ANOS
25
Domingo 17h00 30,00
15,00 Espetáculo Infantil “ MAGICO DE OZ” - O público fica surpreendido com a presença em cena do cãozinho Totó (de verdade), que participa do enredo, acompanhando Dorothy na sua aventura pela Terra de Oz. Cia. Cara Dupla de Teatro Texto:Romildo Rodrigues Pb
29
Quinta 17h30 Entrada Franca Abertura Café com Arte no Teatro Alberto Maranhão

30
Sexta 20h00 40,00
20,00 Show de Humor em COMEMORAÇÃO AOS 20 ANOS DE CARREIRA DO
PERSONAGEM “ SR. DEDE”
31
Sábado Cia do Humor DEZNECESSÁRIOS (MTV) Apresenta o Show “PAULINHO SERRA DEZNECESSARIO DA SILVA” - Jogo do Improviso - Interagem de forma espontânea com a platéia. Direção: Paulinho Serra
OBS: Por gentileza, confirme os espetáculos telefone: 3222-3669, programação sujeita a alterações. Colabore com a preservação do Teatro Alberto Maranhão (108 anos), não consuma alimentos ou bebidas no interior da sala de espetáculo.Por gentileza, confirme os espetáculos telefone: 3222.36.69, programação sujeita a alterações

RECEBO, DA DIRETORA DO TAM, CONVITE PARA AS COMEMORAÇÕES ALUSIVAS AO DIA NACIONAL DA POESIA, NESTE 14 DE MARÇO.

DIONA CALDAS - DIRETORA DO TAM
DIA NACIONAL DA POESIA

segunda-feira, 12 de março de 2012

MARLENE DA SILVA MARIZ, DE SENSIBILIDADE FRANCISCANA, FAZ UMA INTELIGENTE E COMOVENTE BIOGRAFIA (IN MEMÓRIA), DE GIPSE PEREIRA MONTENEGRO.

GIPSE PEREIRA MONTENEGRO
TURMA CONCLUINTE DA ESCOLA DOMÉSTICA DE NATAL, DÉCADA DE 50, ONDE ESTÃO GIPSE E MARLENE MARIZ
MARLENE DA SILVA MARIZ
O AMOR ETERNIZA AS BOAS LEMBRANÇAS.


"A pedido da amiga e historiadora, Lúcia Helena Pereira, passo a escrever minhas lembranças sobre minha querida colega e amiga - Gipse - o que faço, com dupla emoção.
Primeiro esse convite encheu-me de uma certa vaidade, por significar a confiança e reconhecimento da amizade que me ligava à sua amada irmã e madrinha. Por outro lado, porque levou-me a uma viagem ao passado, visitando épocas, lugares, encontrando pessoas, vivendo situações alegres, outras preocupantes, enfim. um pouco da nossa história de vida.
Em março de 1955, conheci Gipse Pacheco Pereira, filha do senhor Abel Antunes Pereira e dona Áurea Pacheco Pereira. À época, frequentávamos o início do semestre letivo da Escola Doméstica de Natal, numa turma com mais de sessenta alunas do terceiro ano. E Gipse chamava atenção por sua beleza, sua alegria e alto astral. Ela era o tipo de moça encantadora, elegante, decidida, solidária e espontânea, logo fazendo amizade com a turma.
Com os passar do tempo, ela ficou conhecida como "a galega de olhos
verdes - azuis" apelido adotado em nossas brincadeiras de românticas adolescentes. Logo nos tornamos amigas. Nessa convivência fui conhecendo a sua família, suas irmãs: Marilene (e filhos), Suely (e filhos), Iara Maria e Lúcia Helena, a mais nova, além de Alberto Cícero, o irmão de criação a quem muito amava, assim como seus pais, Sr. Abel e dona Áurea.
Gipse valorizava muito a família. Como éramos colegas de quarto, durante o quinto ano no internato, trocávamos confidências, falávamos dos nossos planos para o futuro e discutíamos sobre as diversões dos finais de semana. Era ela mesma, "a garota dos olhos verde - azuis" encantando-nos com a sua filosofia de vida, sua visão de mundo, onde não deixava acontecer, logo decidia, afinal, para ela, "as coisas tinham que ser bastante claras".
Através de fotos passei a conhecer a todos. Dessa forma passamos a curtir sua primeira sobrinha, Cristiane, filha de Marilene e Cleanto Waqnderley, a quem Gipse dedicava especial afeto e apego.
Ao término do curso da Escola Doméstica, também, o final de uma etapa
feliz de nossas vidas, cuja convivência deixaria saudades!
E na foto de despedida, da colação de grau, ficou gravada em mim aquela boa recordação das dezoito moças concluintes, algumas, como pássaros, voaram para outras plagas.
Chorávamos quando cantávamos o hino de despedida da escola, cujo primeiro verso, é um poema:
"partimos nós/ partimos nós/ e vós colegas ficais/ temos saudades de vós/
não choraremos jamais..."
Concluído o curso da Escola Doméstica em 1958, Gipse, eu e Elvira Mariz, matriculamo-nos no Atheneu Norte- Riograndense, no curso clássico, mas, não chegamos a concluí - lo, logo no ano seguinte Gipse noivou e abandonou o curso, eu me casei e também não terminei o curso.
Gipse casou-se com o médico cardiologista Antônio de Pádua Borges Montenegro, realizando o sonho de constituir sua própria família.
Depois de casadas continuamos a nossa amizade. Trocávamos visitas e frequentávamos as festinhas de aniversários dos nossos filhos. Nessa época, lembro-me bem, Gipse fazia sucesso por sua elegância e bom gosto no vestir, calçar e pentear seus cabelos louros, além das belas maquiagens de Da Luz e Getúlio!
Em 1967 sofri um acidente e fraturei a bacia, permanecendo acamada durante um mês. Jamais poderia esquecer o gesto de minha amiga Gipse visitando-me duas vezes por semana. Sua presença me animava (é bom lembrar que, numa situação como tal, a presença amiga é benfazeja).
A década de sessenta distanciara-nos da convivência assídua, mediante os inúmeros afazeres. Eu concluíra o curso de licenciatura em história e concurso para professor, passando a lecionar história na UFRN. minha amiga Gispe e sua mana Lúcia Helena faziam o referido curso e, assim, passamos a nos ver mais freqüentemente nos corredores do Campus Universitário.
Em 1974, Gipse concluíra, com sua irmã, o curso de história.
Fomos, então, para a UFPE, no sentido de submetermo-nos à seleção
do mestrado na citada universidade. Instalamo-nos num hotel no centro de Recife, e, aprovadas, passamos a planejar o futuro. E foi Gipse quem traçou os nossos planos, vez que, não queríamos ficar em Recife, afinal, era ela quem tomava as decisões corretas e escolheu um hotel próximo dos pontos de transportes para a UFPE. Assim, ela combinou que viajaríamos no domingo à noite (de Natal para Recife) e regressaríamos na sexta, após a aula (tipo 19 horas).
Gipse transmitia muita segurança. Eu me sentia tranqüila e durante o ano que passamos em Recife, correu tudo bem, sem nenhum atropelo. Foi um ano bom apesar de corrermos muito para assistirmos às aulas, irmos às livrarias, ao comércio e sempre, às segundas, íamos ao cinema, pois segundo ela, isso impediria o estresse e aliviaria as saudades de casa.
Era interessante como chegávamos ao hotel, após as aulas, e ela dizia: "bom, já tomei banho e enquanto você toma o seu, dormirei por vinte minutos antes de recomeçarmos os estudos"...
E, assim, fazia, dormindo, exatamente, por vinte minutos, despertando
bem disposta para retomarmos os trabalhos acadêmicos.
Inteligentíssima, Gipse tinha uma boa linha de raciocínio e facilidade para o entendimento dos textos, que muitas vezes desconhecíamos, sem domínio em determinadas áreas de interpretação. Fizemos bons colegas na UFPE e todos gostavam dela, achavam - na formidável e espontânea, de risada franca, simpática e carismática.
A maioria dos nossos colegas era de outros Estados do Nordeste.
Nas sextas saíamos de carreira para pegarmos o táxi até a Rodoviária.
Vale ressaltar o quanto essas viagens eram animadas, conversávamos
durante todo o trajeto, sem faltar assunto. Na ida eram os acontecimentos do final de semana, os filhos, nossas casas!
Na volta, eram avaliações da semana, aulas, trabalhos e leituras que havíamos feito. Era sobremaneira incrível o quanto me tornei dependente das opiniões e decisões de minha amiga, tudo que
ela resolvia e decidia era do meu contento.
Vivemos muitas histórias interessantes. Sempre estávamos juntas em
quase todos os lugares, em salas de aulas, na cantina, nos corredores, na biblioteca e na sala de leitura.
Eu estava envolvida à vida de Gipse e vice-versa. Adorava estar na sua companhia, nas boas e más situações, e quando fazia compras para sua casa, era algo fascinante. Da mesma forma era maravilhoso participar dos preparatórios para a festa de 15 anos de sua primogênita - Maria Madalena.
Em tudo isso ela encontrava sempre, bons motivos para nos
divertirmos, àquela época, Natal ainda não tinha supermercados e alguns produtos eram de difícil aquisição. Ela não se aperreava, comprava em Recife, principalmente pernil de presunto que trazíamos em depósito de isopor. Parecíamos vendedoras de picolé.
Jamais nos desentendemos. Eu sempre acatava suas boas sugestões. Relembro que, algumas vezes, as suas crianças tinham tratamento dentário e Gipse levava-as com o motorista, na sexta-feira, e após a consulta, voltávamos todos juntos.
Na disciplina história do Nordeste, foi organizada uma viagem da turma da UFPE para Natal, com vistas a uma visita à Barreira do Inferno. Ela, então, aproveitou e ofereceu um café da manhã com tudo de melhor, e os nossos colegas saíram encantados com a hospitalidade da hostess natalense.
Ao completar quarenta anos, telefonou-me convidando da seguinte forma: " ...vou fazer como Elizabeth Taylor, abrir os salões da minha casa, para comemorar minha grande data"...
E foi a festa mais bonita que vi, com as amigas nos jardins da sua linda
casa, onde recebia familiares e amigos.
Inteligente, criativa e organizada, Gipse concluiu todos os créditos das disciplinas do mestrado, em apenas um ano, enquanto eu deixei uma disciplina para o ano seguinte.
Ela planejou no ano seguinte, fazer uma pesquisa no Rio de Janeiro, para a dissertação de sua tese:
"Os americanos em Natal, na segunda guerra mundial", tendo, como orientador, seu primo e escritor Nilo Pereira Assim sendo, ela seguiu para a cidade maravilhosa, no sentido de levantar a documentação no arquivo nacional. Se Gipse tivesse tido o tempo necessário, teria realizado um excelente trabalho, pelo seu inegável talento, pela precisão na pesquisa, pela inteligência e todos os dons que Deus lhe deu. Essa dissertação teria sido uma grande contribuição para a historiografia potiguar!
No seu regresso do Rio de Janeiro, o chefe do Departamento de História comunicou-me o grande problema de saúde que atingiu minha amiga. A notícia pegou-me como um choque, sentei-me para não cair. Em seguida fui visitá-la. Ela recebeu-me com o mesmo otimismo, esperando vencer
aquela árdua travessia. Não fazia mais de um ano de sua chegada, diagnosticada de um câncer (acompanhei-a por vários e vários meses), quando, finalmente, Lúcia Helena telefonou-me para dizer: "se quiser ver sua amiga, venha depressa, ela está nos deixando".
Assim, Gipse foi embora deixando muitas lições de vida, amor, caridade humana e solidariedade. Dou graças a Deus por tê-la colocado em meu caminho. e agradeço à Lúcia Helena a oportunidade de relembrar Gipse, afinal, lembrá-la é sempre um prazer.

natal, 15 de dezembro de 2004.

Marlene da Silva Mariz". (*)
Prof° de história da UFRN (aposentada)

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Querida Lúcia Helena,

Achei simplesmente fantástico o vale verde, tão querido do Ceará Mirm, do qual ela tanto falava nos poemas da avó Madalena. E a foto onde estava tão natural me levou ao passado, a nossa adolescência e parecia estar vendo, minha querida amiga e sua irmã, figura que marcou as nossas vidas pela sua presença carinhosa e amiga. Também achei o máximo a foto da nossa formatura, essa foto é histórica.

Um grande e carinhoso abraço, Marlene.