quinta-feira, 26 de maio de 2011

DAMNED BLUES NA CENTRAL DA RIBEIRA, SEXTA, 27 DE MAIO DE 2011.

DAMNED BLUES

DamNed Blues nesta sexta na Central Ribeira,
uma noite com a banda revelação do Blues Rock no RN.
A Central Ribeira Botequim , na Rua Chile apresenta nesta sexta show da banda DamNedBlues a partir das 22he30min.
A Banda Damned Blues iniciou suas primeiras apresentações na estação de maio de 2009, com o intuito de invocar suas influências musicais como The Doors, John Lee Hocker, Son House, Creedence, John Mayall & Blues Breakers, Robert Johnson, Eric Clapton, Raul Seixas, Ave sangria,Walter Franco, Mutantes em fim do Blues raiz as loucuras sensatas do Rock N Roll 60tista e 70tistas.
Em dois anos em atividade a banda participou de dois festivais importantes o Rock Cordel de Fortaleza no inicio de 2010 , com a ótima aceitação do publico e da produção foi convidada para a edição de 2011, e o V MPBECO - Festival de Musica do Beco da lama, onde conquistou com a canção "Caravana dos Loucos" o prêmio de 2º lugar na categoria melhor música e ainda o prêmio de Melhor Intérprete que proporcionou a visibilidade do trabalho autoral e a gravação de seu primeiro EP Intitulado "Na contramão da lucidez", que a banda vem trabalhando em sua divulgação desde o final de 2010 em bares do Centro da Cidade, Ribeira entre outros espaços.
Damned Blues é formada por Berg Mariano no Vocal; Ivan Jones na Bateria; Tiago Prado no Teclado; André Guedes naGuitarra e Ítalo no Baixo. Para ouvir a banda é só acessar o MySpace: http://www.myspace.com/damnedbluesband

Serviço:

Show DamNed Blues
Sexta: 27 de maio
Hora: 22h30min
Central Ribeira - Rua Chile
Couvert; R$ 4,00
Informações: 3201 - 3121

JOVEM COMEÇOU AOS NOVE ANOS A DESCOBRIR O SEU TALENTO COM A GUITARRA E FAZ APRESENTAÇÃO DE JAZZ FUSION NESTE SÁBADO, 28-05, "LÁ NA CARIOCA".

RAFAEL GOMES - GUITARRISTA

Talentos são sempre bem-vindos, que dirá na música. Se filho de peixe, peixinho é, Rafael Gomes de 13 anos, é mais uma prova do ditado popular.
O jovem artista tem 13 anos e é filho de dois nomes importantes da música potiguar: do maestro Franklin Nogvaes e da pianista e doutorada em música Maria Clara Gonzaga. Dois de seus irmãos também são músicos: o cantor e compositor Caio Padilha e o instrumentista Jhon Fidja. No primeiro mês de vida estava com os pais em uma gravação no Recife. Tem uma relação natural com a música, com o palco, estúdio e público. Lembra que entre os seis e oito anos já tomava gosto por heavy metal e rock. Não queria música erudita "acho que é por que eu sempre ouvi muito em casa através dos meus pais".
Apesar da idade Rafael Gomes se mostra seguro e consciente do fazer música "hoje é muita informação musical na minha cabeça, ainda não consigo organizar direito as coisas". Ele próprio definiu e escolheu as músicas e os compositores que vai tocar "vou fazer uma apresentação focada no Jazz Fusion no repertório tem Dilermando Reis, Villa Lobos, Bach e Allan Holdsworth" este último, guitarrista inglês e um dos grandes nomes do jazz fusion, o seu preferido. Entre outros nomes Rafael vai fazer uma canção do potiguar Alexandre Atmarana, um de seus professores de guitarra. Rafael também em aulas com outro filho de peixe o guitarrista Ticíano D´Amore.
Recentemente no Rio de Janeiro, onde passou cerca de um ano morando com os pais o jovem foi apresentado por sua mãe ao conhecido instrumentista maranhense Turíbio dos Santos, considerado pela crítica e pelos especialistas como um dos maiores violonistas clássicos da atualidade, que ao ver o garoto tocando disse "Esse garoto não precisa de aulas mas de técnica".
Na música e na vida tudo está apenas começando para o jovem Rafael. A estrada é longa e as experiências serão muitas. Tem a base familiar e o dom que recebeu naturalmente de seus pais. Acompanhemos daqui o seu crescimento e as suas conquistas neste universo chamado música.
Na apresentação de sábado Rafael Gomes será acompanhado pelo pai Franklin Nogvaes no Baixo, e pelo irmão Jhon Fidja na Bateria. A mãe Maria Clara fará participação especial no teclado.

Serviço:
Apresentação Musical de Rafael Gomes
Quando ? Sábado 28 de maio
Onde? Lá Na Carioca – Rua Gonçalves Ledo 808 – Cidade Alta
Horas ?Aberto a partir das 12h com feijoada.
Apresentação musical sempre ás 15h
Informações? 9404 3456

Contato com Rafael Gomes? 8809 – 6607 / 8827 – 1775 / 9694 -8776

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O BRASIL PERDEU ONTEM, 24 DE MAIO, UM DOS SEUS MAIORES LÍDERES CONTRA A DISCRIMINAÇÃIO RACIAL, AOS 97 ANOS, NO RIO DE JANEIRO.

ABDIAS DO NASCIMENTO

O Brasil perdeu nesSa terça-feira, 24 de maio, um de seus maiores líderes: Abdias do Nascimento, também um dos pioneiros na luta contra a discriminação racial. Aos 97 anos, o ativista na denúncia do preconceito e na defesa dos direitos dos afrodescendentes pelo mundo não resistiu às complicações cardíacas que o levaram a uma internação no último mês, no Rio de Janeiro.
Abdias do Nascimento (Franca SP 1914 - Rio de Janeiro RJ 2011). Ator, diretor e dramaturgo. Militante da luta contra a discriminação racial e pela valorização da cultura negra. É responsável pela criação do Teatro Experimental do Negro, que atua no Rio de Janeiro entre 1944 e 1968. Essa é a primeira companhia a promover a inclusão do artista afrodescendente no panorama teatral brasileiro.
A militância política de Abdias do Nascimento começa na década de 1930, quando integra a Frente Negra Brasileira, em São Paulo. Participa, anos depois, da organização do 1º Congresso Afro-Campineiro, com o objetivo de discutir formas de resistência à discriminação racial. No início da década de 1940, em viagem ao Peru, assiste ao espetáculo O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, no qual o personagem central é interpretado por um ator branco tingido de negro. Refletindo sobre essa situação, comum no teatro brasileiro de então, propõe-se a criar um teatro que valorize os artistas negros.
Nascimento permanece em Buenos Aires por um ano, estudando no Teatro Del Pueblo. Quando volta ao Brasil, em 1941, é preso por um crime de resistência, anterior a sua viagem. Detido na penitenciária do Carandiru, atualmente extinta, funda o Teatro do Sentenciado e organiza um grupo de presos que escrevem e encenam os próprios textos.
No Rio de Janeiro, com o apoio de uma série de artistas e intelectuais brasileiros, inaugura o Teatro Experimental do Negro - TEN, em 1944, com a proposta de trabalhar pela valorização social do negro por meio da cultura e da arte. No primeiro ano de funcionamento, o TEN promove um curso de interpretação teatral, ministrado por Nascimento, além de aulas de alfabetização e oficinas de iniciação à cultura geral, objetivando a formação de artistas e colaboradores. Dirige o espetáculo de estreia do grupo, O Imperador Jones, em 1945. No ano seguinte participa como ator de duas outras peças de O'Neill produzidas pelo grupo: Todos os Filhos de Deus Têm Asas e O Moleque Sonhador. Ainda em 1946, comemorando dois anos de fundação do TEN, protagoniza trecho do espetáculo Otelo, de William Shakespeare, com a atriz Cacilda Becker.
Em seguida, o grupo passa a encenar uma série de novas peças da dramaturgia brasileira, focalizando questões de relevância para a cultura negra. Nascimento dirige, em 1947, O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso, e também atua na peça, a primeira escrita especialmente para o TEN, abordando a questão do negro em forma de parábola. No ano seguinte, atua como ator e diretor em Aruanda, de Joaquim Ribeiro, colocando pela primeira vez no centro da representação elementos da religiosidade afro-brasileira. Monta Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, em 1949.
Apropria-se da tradição do teatro de revista para escrever Rapsódia Negra, encenada em 1952. Em 1957, participa como ator da montagem de seu segundo texto dramatúrgico, Sortilégio, fábula moral que fala do preconceito de raça com base em uma situação vivida pelo protagonista, com direção é de Léo Jusi. Anos mais tarde, escreve uma segunda versão dessa peça, mesclando a ela aspectos da cultura africana, inspirada em sua estada de um ano na Nigéria,
Dirige, entre 1948 e 1951, o jornal Quilombo, órgão de divulgação do grupo e de notícias de outras entidades do movimento negro. Realiza a Conferência Nacional do Negro, em 1949 e, o 1º Congresso do Negro Brasileiro, em 1950. Em 1961, publica o livro Dramas para Negros e Prólogos para Brancos, compêndio com peças nacionais que tratam da cultura negra, entre elas as montadas pelo TEN.
Devido à perseguição política, em 1968 Nascimento parte para um exílio que dura treze anos. Com a dissolução do TEN, deixa de atuar e dirigir no teatro, e sua militância ganha outras direções. Fora do Brasil, atua como conferencista e professor universitário, publica uma série de livros denunciando a discriminação racial e dedica-se à pintura e pesquisa visualidades relacionadas à cultura religiosa afro-brasileira. Na volta ao país, investe na carreira política, assume cargo de deputado federal e senador da república pelo PDT, sempre reivindicando um lugar para a cultura negra na sociedade.

O INSTITUTO PIUM REABRINDO AS PORTAS NESTE SÁBADO, DIA 28 DE MAIO.


Café com Letras
SÁBADO DIA 28 DE MAIO
INÍCIO ÀS 19:00 HORAS

Cine Café Pium: A Cidade das Mulheres - Fedrico Fellini
Roda de Capoeira do Mestre Mazinho
Artesanato e Economia Solidária - CCAPAR
Exposição da Artista Plástica Adálida Suassuna
Praça de Alimentação
Lançamentos dos livros: “SÓ O PRAZER JÁ NÃO BASTA” - Droga, Falta de Envolvimento Familiar; “POR AMOR AO BRASIL” - Poesias homenageando datas mais significativas e “LETRINHAS ECOLÓGICAS” - Infantil e para colorir de ANA MARIA POLICARPO
Bingo de 01 Cesta Básica Cultural
Bazar
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O Café com Letras é um espaço de divulgação artística e cultural em um ambiente de oportunidades para aproximar pessoas, incentivar a cooperação e participação de instituições, que atuam na comunidade, fomentar a economia solidária e o desenvolvimento da qualidade de vida.
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Local: ESPAÇO PIUM CULTURAL
Av. Joaquim Patrício, 02 - Rota do Sol - Pium - Parnamirim (Entre o Posto Fiscal PM e a Vila Feliz)
E-mail: institutopiumcultura@hotmail.com
Fones: 9948-9453 / 8123-3048 / 8702-8250


ANA MARIA POLICARPO.
Pseudônimo :POLIANA:
Escritora, Artista Plástica, Artesã, Poeta, Palestrante e Educadora Artistica.

É fundadora do MAEPO - Movimento de Artistas, Escritores e Poetas de Osasco. Hoje é sua Presidente Emérita.

Idealisou e participou dos programas "O escritor e você - Concursos de poesias nas escolas -
Oficinas culturais nas escolas e empresas"

Participou de diversos programas promovidos por empresas, Bibliotecas
e departamentos de cultura de São Paulo, de Osasco, Minas Gerais...
Entre eles, os programas O Escritor na Cidade, Psiu Poético, Palestras e Exposições.
Poliana promove suas obras entre brincadeiras e histórinhas, palestras ou exposições.

Autora de 12 titulos, entre eles:

SÓ O PRAZER JÁ NÃO BASTA - ( Droga, Falta de Envolvimento Familiar)
Sobre estes temas Poliana realisa palestras.

POR AMOR AO BRASIL - Poesias homenageando nossas datas mais significativas. Para colorir.

LETRINHAS ECOLÓGICAS - Infantil e para colorir.

Publicou também diversos livros de poesias e seu 1º livro publicado foi de crônicas e poesias,
em 1992 , com o título de 'PORTA ABERTA".

Promove e participa de diversas antologias.

HOJE, 25 DE MAIO, É O DIA DO ANIVERSÁRIO DE MINHA AVÓ MADALENA ANTUNES - A SINHÁ MOÇA DO ENGENHO OITEIRO.

JÁ VAI BEM LONGE A DATA DESTA FOTO EM NATAL, DÉCADA DE 50, VOVÓ E EU.
POIS QUE SEJA ETERNA ESSA MEMÓRIA BOA QUE GUARDO E FLORESCE E REFLORESCE SEMPRE: MINHA AVÓ MADALENA.
"NO OITEIRO, ABEL, AS NOITES DE LUAR ABRIAM OS CAMINHOS. OS VAGALUMES ALUMBRADOS APONTAVAM POR ONDE DEVERÍAMOS SEGUIR. ERAM TEMPOS FELIZES E FESTIVOS, O OITEIRO PARECIA UMA MIRAGEM"!

MADALENA ANTUNES EM CARTA AO FILHO ABEL, DATADA DE 1931.

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TRAGO CORES EM MINH´ALMA


Lúcia Helena Pereira


Trago - as nas rosas do meu pequeno jardim,
Tão diletas, breves, diáfanas e perfumadas!
Fragrâncias de tantos pólens - amanhecidos.

Trago cores em minhas mãos abertas,
Num arco - íris inundado de brilho e luz,
Nas chuvas prateando auroras.

Trago asas de anjos em minh ´alma,
Nas saudades doendo, ferindo, dilacerando
Repartindo anseios.

Oh! Cores divinas,
Como punhados de estrelas varridas do céu,
Recebo os luminares do sol e das estrelas
Colorindo minh´alma de cores mil
Nesta data de festa no céu, para vovó!

terça-feira, 24 de maio de 2011

O POEMA ANTOLÓGICO DE DIÓGENES DA CUNHA LIMA AO GUAPORÉ. MINHA HOMENAGEM AO VALE!


GUAPORÉ
(Poema jacente e subjacente em discurso de Nilo Pereira)
Autor: Diógenes da Cunha Lima



Guaporé, velho solar
Abandonado nas sombras,
Afrancesado, ruínas,
Visíveis galgos de louça
Vigiam homens de outrora.
Um repuxo d'água canta
Sua cantiga molhada
As estátuas lá em cima
Simbolizando o Trabalho,
Agricultura e Comércio,
Lampiões de cada lado.
Da porta quase desfeita
Um jardim, verde sem fim,
Ladeia a sóbria mansão.

Em frente, a casa de banhos
Semelha simples igreja
Paredes encobrem a nudez
Banhista d'água corrente.
A brisa toma a manhã
E cobre o canavial,
Cambiteiro descoberto
Cantando, vem, bem-ti-vi.
E o neto da casa, sábio,
Os olhos vazando o tempo
Vê coisas, paisagens, gente,
Presenças de antigas eras.
Na solidão animada,
Nos verdes do vale sonho,
Vicente Ignácio Pereira,
Barba à Pedro II.
Reconstrói sua morada.
Suas botas de Senhor
(Desenhos no couro cru)

Pisam no chão encharcado.
Às suas ordens tijolos
E argamassa se casam
Enquanto a cana açucara
No parol, a almanjarra,
Garapa, mel, rapadura,
Rolete, canavial,
Cachaça de bagaceira.
Vicente Ignácio Pereira
Cuida de muitos doentes,
Escreve de experiência
Sobre cólera mortal,
Lê contos, faz jornalismo,
E assegura a vitória
Do Partido Liberal.

Lembra que foi Presidente
Da Província Rio Grande
Na seca mor dos Dois Sete,
Victor de Castro Barroca
Vai por seu mando ajudar
Aos retirantes, no vale.
Vicente Ignácio Pereira
Dá ordens para o passado
E o Guaporé logo expulsa
Seu silêncio espectral.
O salão nobre se enche
Da melhor gente da terra
Em faustos, recepções.
Augusto Meira recita
Seu romantismo, amores,
Juvenal louva com graça

As virtudes da preguiça.
No salão nobre os Barões
Do Ceará-Mirim assistem
A toda festa, ar sisudo,
Nos retratos da parede
Iluminada do espanto
Das arandelas azuis.
Dobé, Izabel Augusta,
Tão caridosa, tão santa,
Interroga: onde é que está
Meu neto Nilo? O engenho
Desmorona com a vida?
Vou morar na Rua Grande?
Na sala azul e conversa
São as cenas da moagem.
História do "São Francisco"
Repetida a toda gente:

No ano sessenta e oito
Insistiram com o Barão
Toda a vantagem haveria
De assumir a Presidência
Da Província, potiguar.
Demais, estando em Natal
Evitaria a doença
Um surto de catapora
Que assolava no vale.
O Barão pouco pensou
Pra responder, afirmando:
Eu prefiro as cataporas.
E ficou na Casa Grande.

Anoitecendo no vale
Os sinos de uma capela
Tocam chamando o silêncio.
Tia Augusta vai cantar
Para o menino dormir
Cantigas de antigamente.
A vida, a sorte, a madrasta
Carinho de mãe não tem:
"Carpinteiro de meu pai
Não me cortes os cabelos
Que minha mãe penteou,
Minha madrasta cortou
Pelo figo da figueira
Que o Passarim beliscou".

Na sala de rosa cor
Explode o riso das moças
Tia Augusta Vaz Pereira
Toca valsas no piano
De cauda, sons multicores.
Retrato de sinhá-moça
Belinha, Pacheco Dantas,
Encantada mas risonha,
Ama os saraus da família.

Tio Riquete Pereira
Levemente aborrecido
Com leitura interrompida
Fecha o volume de Eça
No sofá, frisos dourados,
De repente, tudo volta:
Pára a moenda, alambiques,
Uma procissão de sombras
Se mistura a todos nós
No mistério da ausência,
Os pirilampos do vale
São círios da noite escura,
O Guaporé remergulha
Na quietude da morte.
O tempo, velho alquimista,
Joga o verde em nossos olhos,
Dá outra vida ao-que-foi
Na beleza restaurada:
Deus caprichou neste vale
Na manhã da criação
Em verde, luz, soledade.
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NOTA: Esse poema foi declamado pelo próprio Diógenes da Cunha Lima,
a meu pedido, em agosto de 1994, no Teatro Alberto Maranhão, quando da realização de um evento sócio-cultural-filantrópico, que intitulei: Quando Setembro Chegar, em prol dos idosos do Instituto Juvino Barreto.
Enviei-o à minha querida Ceicinha Câmara para que postasse no seu eclético blogue.

ELEGIA PARA O ESCRITOR NILO PEREIRA - "BARÃO" DO SOLAR GUAPORÉ, POR DORIAN GRAY CALDAS.

NILO PEREIRA

ELEGIA PARA O ESCRITOR NILO PEREIRA -
BARÃO DO SOLAR DO GUAPORÉ
Dorian Gray Caldas (*)


Voltas ao Solar
Que habitavas menino.
Em cada palmo de chão
as linhas de tuas mãos.
A casa abre as janelas
aos verdes canaviais.
A palma verde da cana
Agitada pelo vento
sopra o azul longe / perto
distâncias no teu afeto.
A Casa agora
te recebe vazia
mas ascende na memória
os retratos, os marquesões
os anacrônicos segredos
na linha do parentesco.
Identifica a matéria
das porcelanas antigas
o relógio na parede
a hora parada
nos dois ponteiros abertos
como os braços de um espantalho.
Ah! Coletes de fina seda
paredes com papel china
louças de Sévres herdadas
gargântuas de mármore lavrado
ferros de flores bordados
na transparência das asas
das chamas da lamparina.
Ah! Tempo de pés descalços
massapê na chuva fina
vidraça quebrada no imprevisto
acerto do estilingüe.
Ah! Poeta de olhos atentos
na leitura dos vidros
das lentes do bifocal.
Como defender seus brasões
feitos de alfenim e de cal
e a heráldica argamassa
dos portais da Casa - Grande?
Nos retratos da parede
a leitura estremecida:
luvas, chapéus,
a flor no peito - vermelha
os mortos dentro do luto
os avós que se agitam
no sofá de antigamente.
E só a morte permite
a intimidade mais cúmplice
na distância do imprevisível.
Voltas à terra de origem
entre os verdes desiguais
abre as portas da frente
a dos seus campos gerais.
Barão do Guaporé
latifundiário da poesia
escritor de longo curso
resgatas
a tua origem.
A tua palavra profunda
separada do teu corpo
som da verdade da tua alma
reinventa o tempo perdido.

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Dorian Gray Caldas nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 16 de fevereiro de 1930. É artista plástico e ensaísta brasileiro.
Atuou como assessor da Secretaria Estadual da Cultura do Rio Grande do Norte (1967-1968) e da Fundação José Augusto (1974) e foi diretor do Teatro Alberto Maranhão (1967-1968).
Em 1989 publicou Artes Plásticas do Rio Grande do Norte 1920—1989.É imortal da Academa Norteriograndense de Letras, membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN e de outros órgãos congêneres.
Confeccionou e vendeu a sua arte em tapeçaria por vários estados brasileiros e países estrangeiros.

Orador de valor absoluto, tem ministrado conferências ao longo do tempo, bem como, exposições de artes plásticas incontáveis.
Dorian Gray que tem o condão de fazer amigos e cultivá-los.

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Abrindo gavetas encontro essa Elegia dedicada ao amigo de saudosa memória - Nilo Pereira - que tenho a honra de postar neste espaço de diversidades culturais.