sábado, 7 de fevereiro de 2015

SÍNTESE HISTÓRICA DA BRIOSA VILA - LÚCIA HELENA PEREIRA




 "Mais coisas sobre nós nos ensina a terra do que todos os livros, porque oferece resistência”. (2) 

Entrar em Ceará - Mirim é rever a sua paisagem esplendorosa, seu verde alvissareiro, o cheiro peculiar de suas entranhas! É sentir os mistérios da natureza na beleza dos verdes canaviais; na visão dos bueiros dos engenhos aromatizando o ar! É lembrar as tradições da economia rural e patriarcal tão bem desenvolvidas, à época da civilização do ciclo da cana - de - açúcar, reunindo as famílias aristocráticas, exploradoras da terra, com sua nobreza, sua arrogância, seus sobrados, suas louças e pratarias da Inglaterra, seus brasões, seu poderio e seu estilo bem próprio de senhores de engenhos. Cresci ouvindo histórias sobre a terra que me viu nascer, em 9 de julho de 1945. Lembro - me do cenário místico do vale! Essa emoção continua a palpitar dentro de mim, como a rever os pássaros nos galhos das árvores do quintal da nossa casa anunciando o alvorecer de cada dia e cortejando - nos com as suas sinfonias. Há muito a se recordar nesses 146 anos de emancipação política e 122 anos de Ceará – Mirim, na categoria de cidade. É quando se comemora o passado que fez a nossa história; o presente, mesmo com todas as apreensões da difícil e conturbada época e o futuro, no qual depositamos esperanças de dias melhores. Afinal, não vivemos sem esses tempos, sem as vozes dos nossos ancestrais, sem os gestos marcantes, sem as figuras que lá nasceram e viveram, muitas das quais marcaram seus nomes à história política, literária e sociológica do vale! Saí de Ceará - Mirim aos seis anos de idade. Acompanhava - me a estrada esburacada e os arvoredos acenando ao vento, talvez despedindo - se de mim. Já em Natal, na convivência diária com vovó Madalena (Maria Madalena Antunes Pereira), nas conversações habituais com meus pais e na vasta correspondência com o primo Nilo Pereira e o tio Ruy Antunes Pereira, fui redescobrindo o meu paraíso perdido. Aos dezesseis anos, quando de uma visita espontânea, num roteiro romântico pela cidade e pelos engenhos, apaixonei - me profunda e ardentemente por Ceará – Mirim, a cidadezinha de tantas memórias, de tantos afetos, dos gestos largos que ainda sinto, como a acariciarem minhas lembranças fiéis. Nos idos de 1983, a conterrânea Lêda Marques (juntamente com um grupo de senhoras), passou a festejar, em grande estilo, o meu aniversário. Isso repetiu - se por vários anos e Ceará - Mirim ficou, definitivamente, no meu coração! Conforme relatos do meu pai, Abel Antunes Pereira, nos fins da década de 20, o progresso começava a interferir em tudo, menos no ar de romantismo imperando sobre o vale! Os costumes transformavam - se gradativamente. O automóvel surgia operando os milagres do desenvolvimento, mudando os hábitos da cidade pacata, silenciosa, antes só trafegada por veículos rudimentares: charretes, carros - de - bois, jumentos e cavalos de porte utilizados como transportes de mercadorias diversas. Em 1930, com a proximidade da Revolução e grandes mudanças, os chefes políticos não admitiam as novas lideranças. Os coronéis mantinham o seu poderio sobre as massas rurais, passivas e conformadas. Tudo ia seguindo as leis do tempo! Aos poucos as novas palpitações faziam pulsar o coração do povo. Tudo tornara - se diferente. A Revolução era um acontecimento que os mais velhos protestavam e os mais novos não compreendiam. Mesmo com todas as preocupações e ansiedades, o Ceará - Mirim jamais deixou de festejar suas mais importantes datas, onde os folguedos populares animavam a pequena cidade. E o pastoril conservando sua tradição: a lapinha, o fandango, o bumba - meu - boi, manifestações que o povo não esquecia. Poderia vir o progresso de onde viesse, ou os tumultos e impactos psicológicos, as tradições mantinham - se de pé. E foram chegando: a luz elétrica, o trem de ferro, o telégrafo, o caminhão! Os lampiões que ardiam suas chamas no querosene, para iluminar os casarões, os sobrados e as casas, iam se apagando! A cidadezinha foi recebendo os influxos das coisas novas. Eram os novos tempos anunciados! E, mesmo com o automóvel já circulando, os bons cavalos de sela nem, por isso deixaram de existir, depois, isso foi ficando ultrapassado. O sucesso das festas do dia 08 de dezembro, dia de N.Sra. da Conceição, padroeira de Ceará - Mirim, resistiu ao tempo. Uma festa jubilosa, a Matriz engalanada, fogos de artifícios, o dobre dos sinos ecoando pelo vale, as barracas com comidas típicas, a banda - de - música, a celebração da Missa, os bailes no clube, as pessoas passeando diante da Matriz, da praça barão de Ceará - Mirim, do Solar Antunes e do Mercado Público! Também, com igual entusiasmo, eram as festividades natalinas e do Ano Novo. Festas harmoniosas, fogos estrondando, a celebração eucarística com a Matriz ornamentada das mais exuberantes rosas, colorindo e perfumando o ambiente. Nessas festas, as noites do vale tão cheias de quietude, enchiam-se de ruídos e emoções múltiplas. E o final dessas comemorações era anunciado com a banda - de - música tocando os últimos dobrados. Relembro, então, a propósito, das palavras do meu pai: "Quanto me alegra o espírito recordar o Ceará-Mirim em todos os seus aspectos, principalmente no Ano Novo! Do alto da Matriz viam-se as casas - grandes dos engenhos. E lá estava o Guaporé, todo iluminado! E aquelas luzes davam - nos esperanças!” E relembrava, junto com ele, das amenidades daquele tempo! Neste meu passeio pelo passado, vale rememorar e enaltecer os patrimônios históricos embelezando o vale esmeraldino. Como não lembrar a imponência do Solar Guaporé ou Museu "Nilo Pereira", antes denominado Sítio Bonito? Era uma casa – grande, em estilo afrancesado! Pouco se sabe de sua história e quem teria sido o construtor, mas, deve remontar da segunda metade do século XIX e foi a herança deixada pelo Barão de Ceará - Mirim (Manoel Varela do Nascimento – meu trisavô) ao seu genro, Vicente Ignácio Pereira. O Dr. Vicente foi vice -presidente da província. Àquela época, enfrentou os terríveis efeitos da seca de 1877, doando o salário do referido cargo ao Hospital de Indigentes de Natal. Após sua gestão, na capital, retornou ao Ceará - Mirim, para o Guaporé. O Dr. Vicente veria a abolição dos escravos, mas não o fim do regime imperial, faleceu bem antes da proclamação da República e foi sepultado no cemitério de São Francisco, em Ceará - Mirim. Foi o segundo norte - rio - grandense formado em medicina, deputado provincial e jornalista. Ainda sobre os patrimônios históricos e culturais do vale, há de se reconhecer a importância da casa - grande do engenho Guaporé. Naqueles idos, era a casa de veraneio da nossa família. O interior do casarão comportava três salas de frente: o salão nobre com os retratos do Barão, o piano de cauda, paredes de veludo, uma chapeleira com espelho de cristal, mobília em jacarandá, três lustres de cristal, várias telas de artistas estrangeiros, uma cristaleira com vidros trabalhados (guardando copos e jarras de cristal em cores variadas e peças decorativas em porcelana). A sala rosa tinha uma antiga caixa-de-música trazida da Inglaterra (só com os belos clássicos); uma estante com numerosos livros, inclusive, a coleção “Tesouro da Juventude”; uma mesa grande com 12 cadeiras; uma escrivaninha com papel, caneta-de-pena e tinteiro. A sala azul era pequena e bem adornada, chamava atenção o tapete em duas cores: azul marinho com fundo verde e ilustrações em marrom, amarelo âmbar, violeta e grafite. Nas esquinas do Guaporé viam - se dois lampiões que davam para os jardins. Nas noites de festas a visão do sobrado destacava - se em todo o seu esplendor. Sabe - se que as pessoas deslocavam - se do solar Antunes e da cidade, para os grandes bailes e os saraus musicais e literários no Guaporé. Também, dois galgos de louça, sobre duas colunas, na entrada do velho casarão, que, segundo Nilo Pereira: “pareciam humanos, como se vissem, ouvissem e falassem”. Além do Barão e sua família, do Dr. Vicente Ignácio Pereira, também moraram na casa - grande o Dr. Riquette Pereira, sua esposa dona Augusta e os filhos. Ela, exímia pianista, conhecedora dos mais belos clássicos. O Dr. Riquette era uma figura bastante popular pela inteligência invulgar, pela vasta cultura, por falar correta e fluentemente o idioma francês e, também, por ser um charadista conhecido nacionalmente. Era leitor assíduo e apaixonado pelos grandes da literatura: Eça de Queiroz, Montaigne, Rousseau, Victor Hugo, Olavo Bilac, Castro Alves e outros. O solar Antunes foi construído em 1888, pelo tenente - coronel José Antunes de Oliveira, meu bisavô. Ao falecer, ficou aos cuidados da viúva Joana Soares de Oliveira que, posteriormente passou - o ao seu filho Juvenal Antunes de Oliveira (Promotor de Justiça e poeta). Em 1937 vendeu-o ao sobrinho Ruy Antunes Pereira que, após alguns anos cedeu - o ao filho Rui Pereira Júnior. Posteriormente, num gesto desprendido e já como Prefeito da cidade, em 7 de novembro de 1975 (data do seu aniversário), Ruisinho (como é mais conhecido), passou o palacete à edilidade cearamirinense. Desde a sua restauração, tornou-se a sede oficial da Prefeitura da cidade. Ceará - Mirim foi palco de grandes nomes no cenário político, literário e industrial (da cana - de - açúcar). Um exemplo é a família Meira, com o seu patriarca Dr. Olintho José Meira, o primeiro presidente da Província e proprietário de engenho Diamante. Destacou - se por sua expressiva e luminosa cultura, que, segundo contavam, valia por uma Universidade! Os Meira sobressaíram - se política, social, profissional e intelectualmente. A maioria, desde cedo, radicada no Pará: Miguel, Augusto, Otávio, Francisco José Meira (que foi senador). A outra geração, já no Pará, seguiu - se através de Clóvis Olintho Meira, Sylvio Meira e Cécil Meira, todos falecidos. Gratifica - me destacar alguns nomes que marcaram a política de Ceará -Mirim, integrando a história de ex - senadores, ex - prefeitos e ex - deputados: Dr. Manoel de Gouveia Varela, Dr. Luís Lopes Varela, Dr. Edgar Varela, Dr. Roberto Pereira Varela (falecido em 2006), Ruy Pereira Júnior, Dr. Eider Freire Varela (radicado no Rio de Janeiro e falecido este ano), Agnelo Alves, nascido em Ceará - Mirim, no dia 16 de julho de 1932, atual prefeito de Parnamirim/RN, Terezinha Jesus da Câmara Melo e, Ednólia da Câmara Melo, atual prefeita de Ceará – Mirim. É um privilégio lembrar os nomes que fixaram - se na memória do povo e constituem muito do nosso orgulho pelos exemplos de honradez. É quando vale enaltecer grandes figuras: professor Dr. Abner de Brito, professor e poeta, professora e poetisa Adélle de Oliveira, escritor Edgar Barbosa, senhor Joca Barroca (proprietário do primeiro cartório da cidade), Dr. Álvaro China (que abriu a primeira farmácia de alopatia em Ceará - Mirim), senhor Raimundo Pereira Pacheco (meu avô materno) - homem de impoluta memória, dono de armazéns de tecidos finos e outras mercadorias. Lembrar, ainda, a figura do major Onofre Soares (um homem de irrepreensível lembrança), Cleto Brandão, Almir Varela, Dr. Pacheco Dantas, enfim, os Villar, os Ribeiro, os Dantas, os Pereira, os Pacheco, os Varela, os Barreto e tantos outros que fizeram a história da Briosa Vila! Falando em nomes e história, trago - lhes com um encantamento especial, um dos mais importantes nomes do cenário literário do RN, de Natal, de Pernambuco e de outros Estados, reconhecido e enaltecido! Trata - se de Nilo Pereira, filho de Fausto Pereira e Beatriz de Oliveira Pereira, proprietários do engenho Verde - Nasce. Nilo foi uma presença humana de valor inconteste, intelectual elogiado e prestigiado. Amou o vale verde que ele próprio elegeu como a sua "pátria amada". A prova desse está nos seus escritos, sobretudo nos livros - "Imagens do Ceará -Mirim", "Evocações do Ceará - Mirim" e a "Rosa Verde", retratando a paisagem telúrica, sociológica, histórica, política e sentimental do vale. Era um homem de princípios religiosos, advogado, orador, político, professor de história da UFPE, membro da Academia Norte - Rio - Grandense de Letras, de Academias de outros estados, de Institutos Históricos e Geográficos do país e da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife / PE. Foi jornalista e cronista literário dos bons! Tinha uma coluna diária no Jornal do Comércio de Recife / Pe, intitulada: "Notas Avulsas". Portador de inúmeros prêmios literários, como o "Machado de Assis", pela Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obras, o "Edgar Barbosa", e vários outros. Deixou - nos mais de 60 obras e incontáveis artigos de jornais. Faleceu em Recife / Pe, onde residia há muitos anos, em 22 de janeiro de 1992, com 82 anos! Quero, aqui, dedicar algumas evocações sobre os meus familiares, enaltecendo a figura do meu bisavô José Antunes de Oliveira, casado com Joana Soares de Oliveira. Desse casal, o Rio Grande do Norte recebeu quatro memoráveis nomes: Ezequiel Antunes de Oliveira (médico do exército, logo cedo transferido para Belém do Pará e depois, radicando-se em São Paulo); Etelvina Antunes de Lemos (poetisa); Juvenal Antunes de Oliveira (promotor de Justiça, boêmio e poeta, radicado, desde 1909 no Acre) e a primeira mulher potiguar a publicar um livro de reminiscências e regionalismo, Maria Madalena Antunes Pereira. Nasceram todos no engenho Oiteiro. Madalena Antunes nasceu em 25 de maio de 1880. Foi casada com Olympio Varela Pereira, dando a luz a cinco filhos: Abel Antunes Pereira; Ruy Antunes Pereira; Vicente Ignácio Pereira; Maria Antonieta Pereira Varela e Joana D' Arc Pereira do Couto. Do engenho Oiteiro, Madalena Antunes mudou - se para o Solar Antunes, posteriormente, para Natal. Vivia pacatamente, escrevendo numa mesinha de vime, sob o velho terraço da casa da avenida Hermes da Fonseca, 700. Era, assim, que ela manifestava o seu talento e fantasiava os seus momentos de solidões, numa época de tantos preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade, literatura e em outras atividades quase que destinadas apenas ao homem. Conviveu com intelectuais como Luiz da Câmara Cascudo, Manoel Rodrigues de Melo, Esmeraldo Siqueira, Veríssimo de Melo, Nilo Pereira (sobrinho dileto) e outros. E, de 1955 a 1959, recebia a visita vespertina de um jovenzinho, seu fervoroso admirador, Paulo de Tarso Correia de Melo, que tão magnificamente encantava - lhe. Com a amizade desse grupo, vovó Madalena descobriu a fórmula “mágica” para editar o seu livro, o qual, em manuscritas páginas, estava concluído. Presenciei essas “cenas” por algum tempo, observando a empolgação dos intelectuais diante da perspectiva de uma mulher potiguar infiltrar - se no mundo literário. E foi desses nomes da nossa rica literatura, que ela recebeu os maiores estímulos, até que, através do contacto de Câmara Cascudo e Nilo Pereira, com um escritor pernambucano, seus manuscritos chegaram à Editora Irmãos Pongetti e o livro foi editado com o apoio da Casa Euclides da Cunha, Coleção Nisia Floresta, em 1958. Eu tinha treze anos quando vovó Madalena terminou de escrever o seu romance. Estava organizado em papel almaço, quando me deu para ler. Lembro - me da minha emoção quando recebi esse material e das palavras anotadas, em letras de forma, que diziam: “Largo é o sorriso que me acompanha e estreito o caminho daqueles que não compreendem as poesias da alma. Eu sou apenas uma mulher feliz, alguém que aprendeu a canalizar os sentimentos sem se queixar diante dos embates da vida! Madalena Antunes!” Com toda a movimentação para o lançamento do seu livro, vovó Madalena foi surpreendida com a visita da jornalista Maria Tereza, redatora - chefe da revista “DA MULHER PARA MULHER” (1958). Veio do Rio de Janeiro para entrevistá – la e vovó ofereceu - lhe um chá com outros convidados. Maria Tereza perguntou - lhe: “Como a senhora se sente ao publicar o seu primeiro livro com tantas manifestações de carinho, notícias em jornais, intelectuais cercando-a a todo instante? E esse terraço”? Seus olhos oceânicos brilharam e respondeu: “Saí de uma vale encantado para a cidadezinha dos Reis Magos. Com o tempo fui reunindo as minhas reminiscências e encontrando escritores que me incentivaram nessa caminhada. Deixar o Oiteiro e a velha Ceará – Mirim deu - me algumas vantagens e os primeiros vislumbres intelectuais. Por outro lado venho sentindo falta da minha paisagem de infância, da mansidão do vale, dos parentes e amigos que lá ficaram. Quanto ao terraço, nele está a fronteira do meu pequeno grande mundo, a minha “ilha”, o meu refúgio, a mangueira frondosa e bela! Afinal, as árvores também saem dos seus lugares e dão sombras e fruto. Nelas os pássaros pousam e cantam as suas lindas estrofes musicais! Quanto ao livro, creio que a vida vai escrevendo a nossa história e o Oiteiro vai me levando de volta a um tempo ameno, cheio de poesia e beleza, ao meu “templo” de gratas recordações que deixarei para as novas gerações.” Dando continuidade, Maria Tereza insistiu: “Somente as recordações e saudades do vale levaram - na a escrever um livro?” Madalena Antunes sorriu e respondeu com doçura: “Ah! Os encantamentos da infância enriqueceram as minhas lembranças; o feitiço do Oiteiro com suas perfumadas auroras e os luminosos crepúsculos enchendo - me de inspirações! O Oiteiro, o velho engenho com o oitizeiro à beira da estrada! Aquele pedaço de céu foi o palco festivo de minhas recordações! A fonte perene dos meus sonhos de menina! Desde criança fui aprisionando minhas lembranças no coração, só não imaginava é que elas seriam impressas. Creio que isso foi seduzindo o meu espírito e privando - me da solidão comum desses novos tempos, aqui em Natal. Escrever, pelo menos para mim, é um exercício da alma, uma forma de suprir as solidões e saudades. E no Oiteiro, ficou o grande oitizeiro, o qual devo bendizer: Oh! Velho oitizeiro, figura do passado, templo de minhas primeiras impressões! Quantas coisas recordas! Oh! Árvore do pomar da minha felicidade”! Em 1958, na Fundação José Augusto (antiga Escola de Jornalismo de Natal), Maria Madalena Antunes Pereira autografou, em grande estilo, o seu livro OITEIRO: MEMÓRIAS DE UMA SINHÁ - MOÇA reunindo crônica, romance, poesia, história e regionalismo. Um livro reeditado pela A.S. Livros na II Bienal Nacional do Livro em Natal / 2003, prefaciado por mim. Madalena Antunes faleceu em 11 de junho de 1959, saindo da sua casa da Hermes da Fonseca, carregada pelas asas dos anjos, para outras dimensões. Em maio de 2001, no Palácio da Cultura de Natal, a Fundação José Augusto, através do seu presidente - jornalista e escritor Woden Madruga, com apoio do Governo do Estado do RN lançou a revista antológica: "MULHER POTIGUAR: CINCO SÉCULOS DE PRESENÇA", onde, entre as 24 mulheres homenageadas, está vovó Madalena. Da veia poética da escritora cearamirinense Maria Madalena Antunes Pereira, vieram os seus filhos: Vicente Ignácio Pereira, autor de um livro de poemas intitulado: "É BREVE O TEMPO DAS ROSAS", do qual posso citar o trecho de um dos seus poemas: "Onde estarão as roseiras/ nascidas no meu caminho? roseiras que davam rosas,/ com casas de passarinhos/ rosas, sem um espinho"? Ressalto, ainda, uma imagem poemática ímpar: "Só é breve o tempo das rosas para quem não plantou roseiras!" Ruy Antunes Pereira, escritor nato, deixou cartas tão perfeitas, como obras literárias, que sua filha, Denise Pereira Gaspar transportou - as para o livro: “MUCURIPE: O MUNDO ENCANTADO DE RUY ANTUNES PEREIRA”, em novembro de 1995. Dentre cartas tão corretamente escritas, quase todas voltadas para o Ceará - Mirim e para o Mucuripe, ressoará sempre uma frase lapidar do autor, na carta de abertura do livro, dirigida à minha pessoa: "Estarei sonhando? Este vale existe? E o verde, será uma cor ou um sentimento?" Do talento da memorialista do vale do Ceará - Mirim, tivemos seu neto, Ferdinando Pereira Couto, advogado, escritor e poeta de valor absoluto. Deixou vasto material literário, jamais publicado. Quanto ao meu pai, Abel Antunes Pereira, mesmo sem haver se dedicado às letras, era fervoroso admirador dos grandes autores brasileiros, além de gostar de declamar os sonetos do seu tio materno - Juvenal Antunes – e tinha, de cabeceira: Oiteiro - Memórias de uma Sinhá - Moça, (já citado); "Vingança Não", de Júlio Dantas; "O Tesouro da Juventude" (coleção oferecida, às cinco filhas: Marilene, Gipse, Suely, Iara Maria e Lúcia Helena), "Os Sertões" de Euclides da Cunha, entre outros. Finalmente, como um destino traçado, coube - me a missão de pugnar pela continuidade da vocação familiar, o que venho fazendo, desde os 12 anos de idade, quando tive o meu primeiro trabalho publicado no Jornal "A República". Desse modo, venho mantendo o espírito voltado para a literatura em geral. E sinto grande orgulho, por ter sido a primeira mulher norte – rio - grandense a presidir regional e nacionalmente uma entidade cultural em 14 estados. Ao proferir palestras enfocando as mulheres que se destacaram nas letras brasileiras costumo exaltar o Rio Grande do Norte - celeiro de notáveis escritores. Em 26 de março de 2002, com alta honra, assumi a cadeira nº 08, da Academia Feminina de Letras do RN, cuja patrona é vovó Madalena. Em abril de 2002, no Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico do RN, na Reunião para eleição da nova Diretoria da Academia, fiz um discurso - síntese da vida de Madalena Antunes, minha avó paterna e excelsa patrona. Em novembro de 2004 fui eleita, por unanimidade, membro do IHG / RN, tão eficientemente presidido por Enélio Lima Petrovich. Voltar ao Ceará - Mirim é sempre uma emoção doce e renovada. Desta feita, não pude visitar a Matriz, que, segundo relatos dos meus pais, à época de sua construção, em 1883, recebeu a visita do Bispo de Olinda, Dom José Pereira da Silva Barros, que, ao benzer o prédio, exclamou emocionado: "Estou diante de um patrimônio histórico e religioso valioso e que, pela sua beleza e imponência arquitetônica, vai marcar a história deste lugarejo encantador!" O tempo não apaga tudo! Há coisas que vão ficando na nossa alma, como poemas de amor. E a vida vai tecendo novos caminhos, como a aranha ardilosa vai tecendo a sua teia insondável. Mas, sempre voltamos, e, aqui estou, trazendo nos olhos e no coração as saudades dos meus pais, Abel e Áurea, a quem reverencio como arquétipos de tudo quanto possa dignificar a minha vida. Saudades de babá - Regina Dias-; das minhas companheirinhas de infância, Chiquinha e Bililiu, que, se não são Tonha e Patica do engenho Oiteiro de Madalena Antunes, são as filhas de Inês, a ama - de - leite das crianças da nossa família; saudades dos olheiros vingados pelos caminhos, com suas águas escuras, suas vegetações, seus aromas e aquele barulhindo das águas trazendo nostalgias, e da suave dança das piabinhas prateadas! Saudades do compadre Joaquim Gomes, tocador de rabeca, com um anel de prata mareado no dedo mindinho, gordinho e atarracado, sempre agitado e suado, ainda me lembro das bolinhas de suor no seu nariz achatado enxugando - as com um lenço quadriculado e encardido, enquanto dava o seu concerto desafinado para papai e outros compadres; saudades do apito nostálgico do trem, que Joaquim Isidro da Silva (Quincas), empregado de papai e seu irmão Lebre (orelhas enormes) diziam: “Hum! Lá vem o bicho de ferro apitando e soprando fumaça ingual a cobra, parece inté o dono do mundo”... Saudades dos bueiros dos engenhos chorando ao alvorecer e regozijando - se ao crepúsculo; saudades da minha professora de primeiras letras, Valdecí Villar de Queiroz Soares (Valdinha); de dona Biluca, rendeira de almofadas de bilro -“venho de pés lá de Capela mode num andá de carro e trem que é coisa do cão”; saudades das chuvas descendo daquelas duas bicas (cabeças de jacarés em latão e cobre, amparando a queda d´água das telhas da frente casa - grande de minha infância). Ah! Saudades! Saudades de Chiquinha e Bililiu – de tantas brincadeirinhas; saudades das árvores seculares; dos meus avós, tios e primos; do quintal da nossa casa; das mangas rosas que dona Amélia Barroca enfurnava em um baú forrado com folhas de bananeiras; saudades do monsenhor Celso Cicco, que me batizou na Matriz de N.Sra. da Conceição! Saudades do meu padrinho, Dr. Olavo Montenegro, médico competente. Saudades de tantas saudades, Saudades das ruas silenciosas, da gente humilde, das cadeiras nas calçadas, das estórias contadas e recontadas Piô e Maroca (com suas almas lobateanas). Tudo isso, quando volto ao vale e saio impregnada de poesia e beleza! Nessa “viagem” sentimental sinto rejuvenescer a minha alma. Volto ao Ceará - Mirim com olhos de voltar, com olhos de menina, olhos de poeta e olhos de amor! Peço licença à distinta platéia, para dedicar esta mensagem aos meus pais(Abel e Áurea) e minhas irmãs: Marilene, Gipse (no céu), Suely e Iara Maria. Aos meus amados tios e primos: Rivaldo Pacheco - ou, simplesmente Riva - (in memória), Maria Assis Pacheco, Augusto Vaz Neto e Lurdeca (Lourdinha Pereira).

(1) Lúcia Helena Pereira
 Escritora

(2) Antoine de Saint Éxupery
Escritor

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CARTAS DE COTOVELO 06 (versão 2015) - POR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES.


CARTAS DE COTOVELO 06 (versão 2015) 
Carlos Roberto de Miranda Gomes 

 Embora um tanto magoado da vida e com menor capacidade para escrever as minhas Cartas, com algum esforço estou voltando ao estado de normalidade neste veraneio que já se aproxima do final. Consegui fazer algumas leituras praianas, nas quais incluí amenidades como: ”Cais natalenses”, do poeta Lívio Oliveira; “Um Equívoco de Gênero e outros Contos”, de Nelson Patriota e “Rosinha dos Limões”, de Augusto (Guga) Coelho Leal. Contudo, não descurei de obras sobre histórias do nordeste e, particularmente, da terra potiguar, a saber: 1. “A Sedição do Juazeiros”, de Rodolfo Teófilo, narrando a violência da política cearense no início do século XX, com o envolvimento de pessoas notabilizadas na região, como o Padre Cícero, Capitão José da Penha, Franco Rabelo e Floro Bartolomeu; 2. “O Exército em face das Luctas Políticas”, do Major Josué Freire, editado em 1938, no qual narra a saga autoritária do Interventor Mário Câmara nos episódios do processo eleitoral de 1934, e a participação do 21º BC, antecedente à Insurreição Comunista de 1935. Este último cuida dos episódios acontecidos desde a chegada ao Estado do Major Josué, no início de ano eleitoral, onde já se deparou com a truculência policial iniciada com o empastelamento do jornal “A Razão”, do líder sindical Café Filho e, no mais, dificultar o processo de alistamento e o comparecimento às urnas para o pleito de 14 de outubro de 1934, dos eleitores do Partido Popular (de oposição). O acirramento político teve uma vítima fatal, o assassinato do Engenheiro Octávio Lamartine de Faria em 1936, no Município de Acari, por uma volante policial comandada por um Tenente. Ele era filho do ex-Governador Juvenal Lamartine. O inusitado do caso foi o conflito entre o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Antonio Soares de Araújo e os demais membros do referido Tribunal (Manoel Sinval Moreira Dias, José Theotonio Freire, Horácio Barreto de P. Cavalcanti, Sebastião Fernandes da Silva, Mathias Carlos de Araújo Maciel Filho e do Procurador Miguel Seabra Fagundes), quando, por conta da concessão de vários habeas corpus em favor de eleitores prejudicados e pedidos de garantia de vida por renomados próceres potiguares (Médico José Tavares, Deputado Federal Alberto Roselli, Dr. Bruno Pereira e o empresário João Severiano da Câmara, dentre outros), o Presidente por ofício datado do dia 2 de fevereiro de 1935 requisitou tropas federais para a garantia das eleições suplementares no mesmo mês nos municípios de São Gonçalo, Goianinha, Lajes, Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros, Ceará-Mirim, Baixa Verde, :Arêz, São Miguel, Touros, Jardim do Seridó, Martins, Flores, Assú, Acari, Mossoró e Luís Gomes, enquanto o Plenário do TRE aprovava decisão em contrário, sob a alegação da incompetência do Presidente para tal medida, somente possível pelo Tribunal. De qualquer forma, o fato conseguiu evitar nova truculência, haja vista que houve algum deslocamento de tropas, que permaneceram em estado de alerta e o pleito foi realizado sem maiores percalços, do que provocou a alteração do resultado das eleições de outubro de 1934, então favorável ao partido do Interventor (Aliança Social=PSD e PSN), para a vitória dos candidatos do Partido Popular após a apuração da eleição suplementar proclamada um ano depois, que conseguiu eleger o Governador da oposição Rafael Fernandes Gurjão. O clima, no entanto, continuou agitado, com movimentos da classe trabalhadora, que realizou greves até que em novembro ocorreu a “Intentona Comunista”, de curtíssima duração. Estranhamente, em 1962 quase se repete o fato, com a controvérsia: o Tribunal solicitava reiteradamente a garantia de força federal, mas o TSE demorava a decidir baseado em informações do General Muricy, que por sua vez tinha a promessa do Governador Aluizio Alves de garantir o pleito, enquanto este mesmo Governador fazia proselitismo político acusando o TRE de não querer a força federal provocando a decisão do Colegiado de suspensão do pleito, quando então o TSE, tomando ciência da verdadeira história, apoiou o Tribunal Regional e as tropas se deslocaram em tempo, evitando qualquer tentativa de fraude nas eleições, que ocorreram sem qualquer problema.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

domingo, 4 de janeiro de 2015

"EU LEMBRO, VOCÊ LEMBRA, NÓS LEMBRAMOS";;; - LIVRO DA AUTORIA DE GRACINHA BARBALHO, QUE TIVE O PRAZER DE LER E AQUI COMENTO.


"EU LEMBRO, VOCÊ LEMBRA, NÓS LEMBRAMOS"...
GRACINHA BARBALHO

Gracinha Barbalho, como é mais conhecida, presenteou-me ontem (03-01), em Muriú, com um exemplar do seu livro: “Eu lembro, você lembra, nós lembramos...”, autografado em 2012.

Minha conterrânea e confreira na ACLA (Academia Cearamirinense de Letras e Artes "Pedro Simões Neto"), que vou descobrindo, como tantas outras, num patamar de grande inteligência e cultura geral, afinal, não tive tempo de conhecer boa parte do povo da minha terra, vez que, saí do Vale Verde aos seis anos e oito meses, perdendo pela estrada os meus brinquedos, a gente, algumas paisagens.

Disse um sábio que tudo volta e é verdade. Verdade linda e pura quando, vamos reencontrando as figuras do passado.

Nesse livro, Gracinha traz com emoção e grandeza, a começar pelo prefácio magistral da conterrânea Gracinha Brandão Soares, sua alma em pedaços, fragmentos do seu existir como filha do Ceará-Mirim. É quando reúne, ao mesmo tempo, poesia, provérbios e crônicas, num soluço de saudade, boas recordações, vivências e fatos que marcaram sua vida.
Na memória fotográfica do livro, figuras e ocasiões marcantes do seu tempo feliz, naquela paisagem proustiana e dileta, quando o tempo tinha a magia das horas que não passam, para fixar-se definitivamente, como um quadro na parede, que se movimenta e seduz, à medida em que o vento e o sol interferem em sua imobilidade serena.

Muitas mãos vasculhando as emoções da autora que diz em versos, os grandes sentimentos de cada hora. E não se trata apenas de um livro, mas de um elenco inesgotável, num fila iluminada para receber troféus. Troféus que a vida ensinou a conquistar.

O Vale Verde é surpreendente porque tem o sopro da poesia amorosa mergulhada nos massapés, como a própria capa do livro que retrata um canavial e os cortadores de cana e que, coincidentemente, é da autoria de Gilson Nascimento, que fez a capa do meu primeiro livro.

Poesia há no estilo, saudosismo, beleza e a liturgia amorosa de acontecimentos que só nos engrandecem e enriquecem.

Páro por aqui, vou enfeitar minhas saudades com as cores dos canaviais e do céu de Ceará-Mirim. Sinto-me em  estado de graça, confreira, esse passeio pela alma dos tempos é um verdadeiro deleite. Agradeço.

Lúcia Helena Pereira

sábado, 27 de dezembro de 2014

RESISTÊNCIA CULTURAL NO CEARÁ-MIRIM , CRÔNICA DE FRANKLIN JORGE;.




RESISTÊNCIA CULTURAL NO CEARÁ-MIRIM Por Franklin Jorge 

 QUEM É DO Ceará-Mirim, ou mantém algum laço afetivo com a terra e a história

 do município, não disfarça o mal-estar de ver a sua querência aviltada e reduzida a uma grande ruína gestada por sucessivas e desastrosas administrações e governos que parecem ter em comum o despreparo, a alienação, a ineficiência, o descompromisso com a realidade e a falta de projetos de futuro. Prova-o a estagnação econômica e os problemas de toda ordem que se avolumam, especialmente nos últimos anos, sob o atual prefeito que, por seu despreparo, parece zombar dos próprios cearamirimenses e de sua elite de indigentes. “Exemplo nacional”, por suas riquezas naturais e potencialidades econômicas, segundo um de seus mais argutos e criteriosos estudiosos - o engenheiro agrônomo Júlio Gomes de Senna-, o Ceará-Mirim destacou-se por muitos anos, desde o Império, como uma das regiões mais ricas do estado que se foi degradando no decurso do tempo em conseqüência das más escolhas e apatia de seus próprios filhos, ao mesmo tempo vítimas e responsáveis pela desgraça que se abateu sobre o governo do município, atualmente transformado em objeto de vergonha para aqueles que ainda guardam a lembrança de tempos melhores. Até a cultura canavieira - historicamente o fiel da balança de sua economia -, está estagnada e em franco processo de decadência que parece irreversível, se consideramos a baixa auto-estima de seu povo e a indiferença e irrelevância de sua classe política. Contudo, em meio à ruína geral de um município antes rico e em tudo diferente da “cidade-dormitório” em que se transformou o Ceará-Mirim, eis que surge um exemplo de resistência motivado pela atuação de um professor e seus alunos unidos num trabalho de resgate da nossa cultura – de uma cultura que deu ao país nomes como o do historiador Rodolfo Garcia, que chegou a presidente da Biblioteca Nacional; dos escritores Madalena Antunes Pereira, Edgar Barbosa e Nilo Pereira. Refiro-me ao trabalho desenvolvido em sala de aula pelo jovem e talentoso professor Severino Bill Martiniano - inspirador e orientador de um grupo de estudantes - nos fazem crer que nem tudo está perdido. Seu exemplo, como professor vocacionado e esclarecido devia servir de motivo de inspiração para todos nós que desejamos contribuir efetivamernte para a construção de um mundo melhor no qual a educação e a cultura constituem ferramentas necessárias ao desenvolvimento intelectual e humano. Recentemente o recebi em minha casa e surpreendeu-me a qualidade do trabalho que tem desenvolvido com os seus alunos, na área da literatura e da produção de vídeos que a par de sua qualidade põem em relevo o espírito de colaboração que soube despertar na sala de aula, melhor dizendo, que vão além da sala de aula. É o testemunho de que ainda há, no Ceará-Mirim semi-destruído por essa caterva de políticos vorazes que usam destrutivamernte o poder, gente capaz de sonhar e de resistir. Frutos dessa ação pedagógica, a produção de vídeos e de peças que mostram de maneira surpreendente o talento de alunos do Ensino Médio do tradicional Colégio Santa Águeda, entre os quais citaria Cinthya Caetano Ribeiro, Fabiana Emanuela Câmara de Moura, Monalisa Simonelly Rebouças de Oliveira, Marília Raquel Santiago da Silva Pessoa, Nathália Junnia da Silva, Rosilda Rayane de França Rodrigues, Jéssica Rayanny Rodrigues Silva, Josefa Thaynã de Lima e Silva, Lucas Felipe Pessoa, Josué Viana da Silva Júnior, Matheus da Silva Câmara, Samuel Batista Soares de Araújo, Aliane Mayara Araújo de Oliveira, Anderson Rafael de Oliveira Mendonça, Heitor Fagundes Calazans Silva, Maria Clara Moreira Oliveira França, Anderson Rafael de Oliveira Mendonça e Heitor Fagundes Calazans Silva, autores do Auto da Boca da Mata [denominação primitiva do município que muitos ignoram], inspirado no clássico português Gil Vicente, abordando porém uma temática que diz respeito ao Ceará-Mirim e os protagonistas de sua história. Segundo o professor Severino Bill Martiniano a obra “traz em seu bojo uma reflexão sobre o cotidiano de pessoas de uma sociedade imaginária, criada pelos jovens escritores do Colégio Santa Águeda”, que deve orgulhar-se de contribuir de maneira tão eficaz para o aprendizado e apoderamento do conhecimento usado em favor da coletividade. Todos nós que amamos e valorizamos a contribuição do Ceará-Mirim à cultura norte-rio-grandense, esperamos que um trabalho desse nível de qualidade tenha uma ampla divulgação e contribua para o fortalecimento da educação e sobretudo da conscientização da sociedade sobre os nossos problemas. Por isso se faz necessária a realização do projetado l Festival Literatura em Vídeo idealizado pelos participantes desse projeto que marca a história do Colégio Santa Águeda.

sábado, 20 de dezembro de 2014

EDUARDO CARVALHO ME SURPREENDE, MAIS UMA VEZ, E MULTIPLICA EMOÇÕES EM MM.




NÃO SEI, NA VERDADE NÃO SEI DIZER O QUE É MAIS BONITO: VER A EMOÇÃO DO OUTRO EM RELAÇÃO À NOSSA EMOÇÃO; RECEBER TANTOS PRESENTES E SABER O QUANTO UM JOVEM ADVOGADO, ESCRITOR E IMORTAL DA ACADEMIA DE LETRAS DE CANGUARETAMA/RN E SENHOR DE ENGENHO, É CAPAZ DE TAMANHA TERNURA. 
EDUARDO HENRIQUE GOMES DE CARVALHO VEIO AO PRÉDIO ONDE MORO, ENTREGOU-ME PRESENTES E DEIXOU O BILHETE ABAIXO, QUE É A MAIS RICA POESIA.

"LÚCIA HELENA,

O cheiro das mangas me fez lembrar a dileta amiga,  que volta a ser a menina do Oiteiro. a sorver um dos aromas de sua infância.
A saudade é assim. Busca penetrar em nosso âmago, através de sensações que nos remetem aos nossos primórdios amados.
Não bastasse o aroma dos frutos, um sabiá alvissareiro
 apresentava, no alto da mangueira, uma sinfonia ímpar, como se entoasse que o nosso "mundo encantado" permanece vivo, cá dentro de nós, no sabor das coisas simples e das amizades verdadeiras.

Um forte abraço.

EDUARDO CARVALHO

PS: Espero que goste das mangas, foram colhidas hoje cedo, 
bem como as palmas de bananas. O mel de engenho é novinho, dessa moagem. ah! aproveitei e lhe trouxe um cozinhado de 
feijão verde" (o feijão nas vagens). EC

E o que eu poderia dizer? Menina de interior, vendo sempre fartura, o ir e vir das comadres e parentes nessa troca de presentes, senti-me realmente de volta a Ceará-Mirim - o lugar mais lindo do mundo!

Como sou poderosa!!! Tenho direito até de voltar no tempo e ser menina de novo. Entrar no vale, ver a minha rua se iluminar, o trem apitar, os pássaros voando felizes, os rios serenos, o vento manso, o apito dos engenhos na saudação matinal.

Almoçei o cozinhado de feijão verde que não debulhei todo, dará para mais duas vezes, coloquei as vagens na geladeira.
Eduardo e eu temos essa comunicação desde que nos conhecemos. É a festa ideal ao nosso espírito, que nunca se acaba, que não conhece limitações e só aumenta para que estejamos vez ou outra comemorando esse festin da alma.



Eu e Eduardo confessando nossa afeição pelos engenhos. Ao saber, que eu era uma menina do vale, ficou encantado  e bem me lembro do que ele falou, da noite de 31-12 para 01-01: "então nos tornamos inseparáveis, vou lhe levar ao meu 
engenho" (E fui a esse lugar paraíso)



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RESPOSTA DE EDUARDO CARVALHO:


"Bom dia querida amiga,


Que bom que você gostou dos simbólicos representantes do "paladar" e "aroma" que retratam nossa terra e nossa infância querida, tão comum entre nós...Lembrei do debulhar dos cozinhados de feijão verde nas varandas da casa-grande, geralmente à noitinha, onde nós, ainda crianças, nos misturávamos com os empregados naquele momento ímpar de interação, onde ouvíamos estórias e causos que nos transportavam para um mundo  surreal. Acredito que nossa capacidade de apreciar a beleza da poesia e das coisas do espírito têm forte relação com esses primórdios recitais rurais.
Fiquei emocionado com seu texto, pois além de  transbordar poesia, retrata uma amizade construída sobre alicerces sólidos e lícitos, tão diferente do que se vê na atualidade, onde os interesses banais e até mesmo escusos predominam, banalizando as relações.
Contudo, de minha parte não vejo nem sinto necessidade dos "títulos" que você tão carinhosamente insiste em me conceder, pois quando lhe escrevo não me sinto o "advogado", o "senhor de engenho" ou ainda o "imortal de uma Academia de Letras". Quando lhe envio algumas palavras, estou deixando fluir uma força maior e superior a tudo isso existente dentro de mim e oriunda do torrão amado que me gerou, me deu vida e me fez forte. E tambem tenho certeza que assim se dá com você...Canguaretama e Ceará-Mirim...Pituaçú e Oiteiro/Solar Antunes...É isso que nos dá tanta sintonia, pois nossa força vem da "Terra" amada, como foi tão bem retratado no épico "E o vento levou" - "Tara, a força vem da terra, é de lá que retiramos nossa força!".
Um forte abraço.
Eduardo Carvalho.

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Deus me deu tantas coisas, tirou-me outras, certamente me fariam mal.
Deu-me você, com sua poesia luminosa!
Quando leio os seus textos, aquele imenso mundo imerso em poeira e escombros, se transforma num tempo feliz e risonho, que ainda alcançei e trago n´alma, como um brasão de honra!
Grata, grata querido amigo, você é um dos escritores contemporâneos que conseguem dar vida, movimento, luz, magia e voz ao passado. É a canção do exílio involuntário que cavamos, para não nos perdermos desses caminhos.

Te amo.


Lúcia Helena

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FOI NESSE PARAÍSO, A CASA-GRANDE DO ENGENHO SÃO LEOPOLDO, NO VALE VERDE DO CEARÁ-MIRIM, DO CONFRADE FRANKLIN MARINHO, QUE TIVEMOS NOSSA CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA. UMA MANHÃ E TARDE INTEIRAS DE ALEGRIAS, SORTEIOS DE BRINDES DA ZARA, ÁGUA DE CHEIRO, RIACHUELO E OUTRAS, MUITOS SALGADINHOS, SUCOS, REFRIGERANTES, O NATAL COQTAILS IMPERANDO NA BOA QUALIDADE, O GRANDE TITA E ACOMPANHANTE COM REPERTÓRIO DEZ, ALGUNS CONVIDADOS CANTARAM E JOJÓ DEU SHOW COM FRANCESAS, MARILDA CANTOU SEU HINO, UMA MARAVILHA A SOMBRA DA SECULAR MANGUEIRA E A VISÃO DO VERDE DO VALE, AGUARDO AS FOTOS BATIDAS POR JOJÓ POIS ESQUECI AS MINHAS MÁQUINAS.. DIA FELIZ! AGRADEÇO..



FRANKLIN MARINHO
BETH E JOJÓ
ESCRITORA E CANTORA
O MELHOR!!!
DARQUINHA, CEIÇÃO, LÚCIA HELENA E BETH
 
ARMANDO HOLANDA, EMMANUEL (PRESID. DA ACLA), LEDA VARELA E DARQUINHA
 
MARILDA, ROBERTO FURTADO, BETH E LÚCIA HELENA
MENINAS DA ACLA
 
DUETO DE JOJÓ E JANSEN LEIROS
ODÚLIO BOTELHO DÁ UMA OLHADA NO LIVRO DE CEIÇÃO CRUZ
 
SPINELLI, DE CORAÇÃO NOVO, TODO CONTENTE
 
A LINDA CASA QUE NOS ACOLHEU
 ANIVERSARIANTE DE 25-12

 
LEDA, DARQUINHA, MARILDA E ROBERTO
 
MARILDA, ROBERTO, BETH E EU
ELES
 
ELES & ELAS
 
ABRAÇO DE CONTERRÂNEAS E AMIGAS
NARA BUFFET - MÃOS DE FADA

OBS: NÃO LEVEI AS MÁQUINAS, VIU ODÚLIO E GEIZA, NÃO TERIA PERDIDO ESSA OPORTUNIDADE!